Preparação de Streptococcus para o tratamento de infeções do trato respiratório

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Uma terapia probiótica de nova geração que utiliza bactérias comensais humanas e os seus bacteriocinas para bloquear a colonização pneumocócica, prevenindo infeção e transmissão na origem.

CONTEXTO

Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é uma das principais causas de pneumonia, otite média e sinusite a nível global, afetando sobretudo crianças, idosos e indivíduos imunocomprometidos.

Apesar da utilização generalizada de vacinas conjugadas e antibióticos, subsistem limitações relevantes. As vacinas atualmente disponíveis cobrem apenas até 21 dos mais de 100 serotipos conhecidos, tendo-se observado um fenómeno consistente de substituição de serotipos, com aumento da prevalência de serotipos não incluídos nas vacinas. Em paralelo, a emergência de estirpes multirresistentes está a reduzir a eficácia das terapias antimicrobianas, enquanto o uso de antibióticos contribui para a disrupção do microbioma e para a seleção de resistência.

A colonização do trato respiratório superior, geralmente sob a forma de biofilme, é um passo essencial para o desenvolvimento da doença e para a transmissão. Neste contexto, a Organização Mundial da Saúde recomenda o desenvolvimento de estratégias que visem diretamente a colonização.

Uma abordagem promissora consiste na utilização de bactérias comensais com propriedades probióticas e dos seus peptídeos antimicrobianos para inibir patogénios. Este trabalho explora essa estratégia para suprimir especificamente a colonização por S. pneumoniae, através da identificação de estirpes comensais com forte atividade antipneumocócica.

SOBRE A TECNOLOGIA

A invenção baseia-se em sete estirpes comensais humanas do trato respiratório superior: uma Streptococcus oralis (A22) e seis Streptococcus mitis (B22–G22), selecionadas a partir de mais de 300 isolados.

Estas estirpes foram obtidas de indivíduos saudáveis não colonizados por S. pneumoniae e sem uso recente de antibióticos. Demonstraram atividade inibitória contra mais de 200 estirpes pneumocócicas geneticamente diversas, abrangendo 30 serotipos e 157 tipos MLST, com cada estirpe a inibir mais de 90% do painel testado.

A análise genómica revelou:

  • 64 loci associados a bacteriocinas

  • 70 bacteriocinas putativas

  • 119 proteínas de imunidade

Incluindo sistemas do tipo blp, cab, streptococcin e lantibióticos, muitos dos quais raros ou ausentes em S. pneumoniae. A deleção destes loci confirmou o seu papel na atividade antimicrobiana.

Funcionalmente, estas estirpes:

  • Previnem a formação de biofilmes de S. pneumoniae

  • Desagregam biofilmes já estabelecidos

Em modelos in vivo, a estirpe F22 demonstrou capacidade de prevenir a progressão pulmonar num modelo murino de co-infeção com influenza A. Adicionalmente, bacteriocinas isoladas reduziram a colonização nasofaríngea.

Figura 1:S. mitis F22 como bioterapêutico vivo que bloqueia a colonização e a invasão pulmonar.

 

BENEFÍCIOS E APLICAÇÕES

Esta tecnologia apresenta aplicações em vários setores:

Vacinas e saúde respiratória

  • Redução da colonização pneumocócica

  • Complemento às vacinas existentes

  • Eficácia potencial contra serotipos não cobertos

Terapias baseadas no microbioma

  • Abordagem direcionada e de espectro estreito

  • Preservação do microbioma

  • Redução da pressão seletiva para resistência

Indicações clínicas (ENT e pediatria)

  • Otite média recorrente

  • Sinusite

  • Prevenção de infeções respiratórias

Descoberta de antimicrobianos

  • Plataforma para identificação de novas bacteriocinas

  • Desenvolvimento de antimicrobianos de espectro estreito

  • Engenharia de probióticos de precisão

Comparativamente a abordagens existentes, esta solução combina ampla atividade contra estirpes diversas, múltiplos mecanismos de ação e potencial para formulações multiestirpe, reduzindo o risco de resistência.

 

PROPRIEDADE INTELECTUAL

  • Pedido provisório: PT119647

    • Data: 09.08.2024

  • Pedido PCT: PCT/EP2025/072499

    • Data: 05.08.2025

  • Requerente: Universidade NOVA de Lisboa

  • Título provisório: Streptococcus Preparation for Treatment of Respiratory Tract Infection

 

OPORTUNIDADE

Estão abertas oportunidades de colaboração para:

Co-desenvolvimento

  • Desenvolvimento de formulações intranasais ou orais

  • Integração em pipelines de terapêuticas respiratórias ou microbioma

Licenciamento

  • Acesso às estirpes, bacteriocinas e know-how

  • Licenças por indicação ou exclusivas

Investimento

  • Expansão do portefólio de propriedade intelectual

  • Estudos pré-clínicos e clínicos

  • Desenvolvimento até first-in-human

 

NOVA Inventors

Raquel Sá-Leão

Carina Valente

Sara Handem

Catarina Candeias

João Borralho

João Lança

Bárbara Ferreira

 

 

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